terça-feira, 25 de novembro de 2008

Rota das Lagunas - Mapas e dicas do pedal

Pra quem estiver interessado em fazer a rota das lagunas (passando pela Laguna Colorada, Laguna Blanca e Vulcão Lincancabur) de bicicleta, deixo aqui um roteiro esquemático de como fiz entre Uyuni e Hito Cajone na Bolívia.




A rota das lagunas é realmente delicada. Fizemos em 4 pessoas, sem GPS, mas com uma carta militar, um mapa esquemático (acima) e mapas normais (que não ajudaram muito). De qualquer jeito, as rotas são bem marcadas no chão pelos 4X4, e qualquer coisa você pára um deles e pede informações. Mas é bom estudar BEM a rota antes de começar, pois ainda assim no equivocamos por duas vezes durante o caminho (nada que levasse a conseqüências drásticas). No google earth, a rota toda está em boa resolução, e dá pra ter uma boa idéia de como é. Todos os pontos importantes deste trecho, você pode pegar aqui:

Tentem não dormir no mesmo lugar que eu no dia 9. Foi a pior noite da minha vida!!! É muito alto, muito frio, e tem um vento infernal!!!! Quase perdi minha barraca por causa dele. Nesse trecho você passa a 5000m!
Fique bem atento ao planejamento, porque não existe muitas ofertas de comida e água no caminho. Pra fazer a rota, levamos comida e água para 3 dias, de Uyuni até San Juan. Em San Juan compramos comida e pegamos água para 7 dias, até a entrada do Parque Eduardo Avaroa (Laguna Colorada). Lá pegamos uma caixa de comida que enviamos direto de Uyuni por uma empresa de turismo (Licancanbur Turismo, que cobrou 20 doletas pela entrega). Nessa caixa tinha comida pra mais 5 dias, até chegar no pueblo de Jama, na fronteira com a Argentina. Mas se liga que nesse povoado não tem nada, nem hotel. E na alfândega os policiais são muito FDP.
Se preparem mesmo pra pegar muito frio a noite. E pegar MUITO MUITO vento. Cicloturismo nessa rota é perrengue! Mas com preparo é totalmente viável para qualquer cicloturista.
Rola umas ceroulas e umas luvas boas e baratas perto do mercadao de Potosi.
Abraço e boa sorte!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Reta Final do Giro Andino


Passei os últimos dias do Giro Andino em Punta del Diablo, mais uma vez na companhia da Família de León. Fiquei no rancho de praia construído pelo próprio Gustavo de León, que o fez em alguns meses enquanto permanecia acampado no terreno. Lá tive oportunidade de aprender muito sobre mecânica de bicicletas com Pablo, enquanto revisávamos minha bicicleta.

De Punta del Diablo segui com um baita vento contra até Chuy, na fronteira com o Brasil. Apesar de inicialmente ter a intenção de seguir pedalando até Porto Alegre, ao chegar em Chuy percebi que minha jornada tinha chegado ao fim, afinal já havia extrapolado o prazo e o orçamento previsto para o Giro Andino. Além do mais, os atrativos que me motivaram a realizar esta viagem se acabavam na fronteira com o Brasil. Assim, segui diretamente para Porto Alegre, e depois de uma passada em Florianópolis cheguei à Brasília, onde a vida continua, agora um pouco séssil.

Ao fim foram pedalados mais de 4.100 km por 6 países, em 4 meses de viagem. Sucesso total! Sem dúvida, uma das melhores coisas que fiz na vida.

Agora é compilar toda as informações adquiridas nessa viagem e assim que possível, disponibilizar para todo cicloviageiro que queira encarar essa experiência. Fora isso, é começar a pensar no próximo Giro. Onde será…?

Pra finalizar deixo essa charge (clique na imagem para ver ampliado):


Acho que ainda estou muito novo pra falar em meia-idade...

Valeu aí a todos que acompanharam o Blog. Assim que puder, espero escrever outro…

Recomendo essa experiência à todos.
Vamos de bicicleta sempre!!!!!!!!!
Qualquer coisa é só entrar em contato comigo: luizfelipebio@gmail.com

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Uruguai, do campo à praia...




De Buenos Aires segui para a charmosa cidadezinha de El Tigre onde atrevessei de barco o Rio da Prata em direçao Nueva Palmira, na República Oriental do Uruguai, onde comi o maior bife à milenesa da minha vida. O Uruguai sem dúvida foi o país onde fui mais bem recebido até aqui. De Nueva Palmira, a Montevideo foram 3 dias de pedal em meio aos pampas Uruguaios.

O Uruguai é um país bem peculiar para viajar em bicicleta. A maioria das cidades não se encontram à beira das rodovias, mas sim a distancias cerca de 3 km das mesmas, o que me obrigava a carregar mais provisoes durante o dia para evitar perda de tempo com deslocamentos desnecessários.

Em Montevideo fui atrás de Pablo de León, uma pessoa que teoricamente teria uma loja de bicicletas no centro da cidade e também recebia cicloviajeiros. Contudo, ao chegar ao local da bicicletaria, encontrei somente um casarao abandonado. Nenhuma pista de Pablo ou da biciletaria. Desencanei dessa história e fui procurar um hotelzinho barato. No dia seguinte, dando uma volta pelo centro de Montevideo, me chamou a atençao o trabalho de ótima qualidade de um pintor, e parei para conversar com ele. Conversa vai, conversa vem, descubro que estava conversando com Marcelo, o irmao da pessoa que buscava. Ê mundinho pequeno... De pronto me ofereceu hospedagem no seu atelier, e me colocou em contato com Pablo.

Passei um dia com Pablo e conheci sua nova sua bicicletaria, que agora era móvil, e tinha como sede uma bela Kombi creme. É uma bicicletaria à domicilio. No dia seguinte Pablo e seus familiares seguiram para Punta del Diablo, uma praia no litoral norte do País, enquanto eu segui para a casa de Cachi, um amigo de Pablo, que morava numa comunidade localizada no Cerro del Burro, a uns 100km de Montevideo.

Apesar de nunca ter visto Cachi na vida, era como se fosse um velho amigo que não via a muito tempo. Fiquei um dia em sua casa conhecendo um pouco mais da cultura Uruguaia e da vida no Cerro del Burro. Lá pude conhecer também Nico, um amigo de Cachi, e antes de seguir viagem combinamos de nos encontramos alguns dias depois na praia de Valizas.

Saindo do Cerro, passei pela estranha cidade de Punta des Leste. A geografia de sua costa é um capricho da natureza. Nessa punta é que se faz a divisão bem marcada entre as praias do oeste, banhadas pelas águas do Rio da Prata (de agua mais doce e barrenta), e do leste, banhadas pelas águas do Oceano Atlântico (bem verdes e com muitas ondas). Infelizmente a beleza do lugar o condenou a se tornar um reduto de cassinos e resorts de luxo, restringindo minha estadia no local a uma breve pedalada.

Em Valizas, encontrei com Cachi e Nico e nos hospedamos na casa de uma amiga de Cachi, que ficava somente a alguns passos da praia. Apesar do sol forte e do dia limpo, tínhamos que ir de casaco para a praia, já que soprava um vento bem frio. Fiquei uns dias por ali antes de seguir para Punta del Diablo, onde me encotraria novamente com Pablo e sua Família.

sábado, 20 de setembro de 2008

22 de Setembro - Dia Mundial sem carros


Devido ao grande transtorno que vem sendo causado pelo excesso de veículos nas cidades, foi criado o dia mundial sem carros, 22 de setembro. Neste dia é pedido para que não utilizem o carro, e que façam também esta sugestão a outras pessoas. Em algumas cidades não é permitida a circulação de automóveis nos centros urbanos, apenas os transportes coletivos e não motorizados.

A experiência inicial da campanha “Um dia sem carro” foi realizada em 1998 com a adesão de 35 cidades francesas. Em 1999, a adesão se estendeu para 66 cidades francesas, 92 italianas e toda uma região de Genebra, na Suíça. No Brasil, a mobilização foi promovida pela primeira vez em 2001, sendo que em 2004 contou com 63 cidades em todo o país. Esta mobilização vem ocorrendo a alguns anos de forma crescente pelo mundo, e tem como objetivo combater a poluição do ar, a emissão excessiva de gases do efeito estufa e estimular o debate sobre temas como a adoção de políticas públicas para transportes coletivos de boa qualidade e o uso de modos não motorizados de transportes.


Motoristas, conscientizai-vos!!!!


Conto com a colaboraçao de voces.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

S. S. de Jujuy - Buenos Aires

A hospitalidade em Jujuy foi tanta, que acabamos ficando uma semana por lá, para descansar e repor as energias. Nada como uma cozinha à nossa disposição após dias de uma dieta bem restritiva... Depois dessas "férias" seguimos até a cidade de Salta pela ruta 9, uma bela e pacata estradinha que vai serpenteando por entre as montanhas.

Em Salta fomos muito bem recebidos na casa de Ramón e sua família, mais uma das casas de ciciclistas da América do Sul. Lá tive o prazer de conhecer Sekiji (o japonês mais latino que já vi!), que vem recorrendo a América do Sul em bicicleta a alguns anos, e estava por lá se recuperando de um problema no olho.

Philip, Ana e eu seguimos no rumo sul até o povoado de El Carril, a 30km de Salta, onde paramos para um looooongo almoço, que selaria nossa despedida. Depois de pedalarmos juntos por 2 meses, me despedia do casal "cicloviajeiro" que seguia para o Parque Nacional Los Cardones em sua Jornada até o Ushuaia, enquanto eu seguia direto para a cidade de Cafayate pela Quebrada de las Conchas.

Em Cafayate fui recebido por Sacha no Taller Utama, onde funciona seu ateliêr e uma bodega de vinho artesanal. Já de volta a estrada, passei por um bloqueio a 3 caminhões chilenos que trabalham para uma mega mineradora na cidade de Catamarca. Era um protesto ao funcionamento desta mineradora, que vem causando vários danos a meio ambiente, contaminando o solo, o ar e a água da região, revoltando muitos Argentinos (http://www.noalamina.org/ ou http://www.pro-eco.ar/). Pouco mais a frente, fiz uma parada para visitar as ruínas de uma antiga fortaleza da civilização Quilmes, de onde pude ter uma idéia do péssimo tempo que me aguardava.

Ao fim do dia chego ao povoado de Amaicha del Valle, no sopé da última montanha que me conduzia através da Abra “El Infernillo” (de apenas 3000m de altitude) para baixo da Cordilheira. A descida, que passa pela formosa cidade de Tafí de Valle, é conhecida pela beleza de sua floresta muito bem conservada e pelo clima subtropical bem agradável. Contudo, ao chegar em Amaicha de Valle sou desaconselhado a seguir minha viagem em bicicleta até Tafí del Valle, já que devido ao mal tempo dos últimos dias, a Abra estava coberta de gelo. Preferi separar minha roupa de "guerra", já no fundo do alforge, e sair bem cedo no dia seguinte para avaliar a situação, esperando também uma melhora no tempo.

Apesar do meu otimismo, o dia acordou pior que o anterior, com muitas nuvens escuras na parte mais alta da serra. Mesmo assim resolvi arriscar. Quanto mais subia, mais esfriava, e com cerca de 20km começou a “neviscar”. A essas alturas já não sentia meus pés, e o pouco de água que vazou da garrafa que trazia no bagageiro traseiro, já havia se transformado em uma pequena escultura de gelo sobre meu saco de dormir.

Foi após uma curva, alguns quilômetros a frente, que percebi que era impossível prosseguir. Não se tratava de um simples mal tempo, mas de uma nevasca que havia deixado a paisagem completamente branca de cima a baixo. Não teve jeito, tive que descer um pouco e “hacer dedo”. Por sorte, logo a primeira camionete que abordei parou, e me deu uma carona até a cidade de Tafí de Valle (2000m). Só assim podia seguir sem que virasse um picolé.


Depois de um bom café com leite para aquecer até a alma segui pela tal descida, ainda com um pouco de neve caindo, até os pampas argentinos (450m) em busca dos esperados dias mais quentes. Era minha despedida da Cordilheira.

No dia seguinte chego a cidade de São Miguel de Tucumán, e depois de uma visita rápida à casa de ciclistas de lá para conhecer Benjamin, pego um trem direto a Buenos Aires cortando o imenso e monótono pampa argentino. Uma ótima opção para aqueles que, assim como eu, não tem muito tempo e dinheiro para recorrer tudo no pedal.

A cidade de Buenos Aires é encantadora, e perfeita para ser descoberta na perspectiva de um ciclista. Além de plana, possui avenidas bem largas, e algumas ruas preferenciais para ciclistas. Pode-se chegar facilmente de bicicleta a muitas atrações da cidade, com a vantagem de curtir melhor a arquitetura da cidade no caminho. Inclusive existe um ótimo material fornecido pelo pessoal da “La bicicleta naranja”, indicando boas rotas para conhecer Buenos Aires (http://www.labicicletanaranja.com.ar/).
A única coisa complicada em Buenos Aires é o Porteño. Ainda mais depois de uma medalha de ouro fresquinha para o futebol argentino...